O amor que eu quero

O amor que eu quero

Oi oi menines, tudo bem?

Tenho os pensamentos mais diversos, em situações bem estranhas. Estava pensando sobre o amor da minha vida enquanto corria na esteira esta manhã. Bem normal. Percebi então que eu sabia muito sobre o que eu não queria mais viver. Afinal de contas, eu sei bem o tipo de amor que eu não quero, mas qual é o amor que eu quero?

Sempre fui o tipo de menino Disney, aquele que acredita em finais felizes, chora com animações e tem a Bela (da Fera) como princesa favorita. Um menino sensível, eu diria. Mas, por mais que tenha esse perfil, não me considero uma pessoa que procura esse amor perfeitinho, com flores, beijo na chuva e declarações ao luar. Muito pelo contrário, o romantismo para mim é mais cotidiano e menos clássico.

Não precisa me buscar no trabalho, não precisa dormir na minha casa toda a noite, não precisa lembrar de quando nos conhecemos. Precisa estar presente quando está comigo. E não precisa estar muito. Não precisa mandar muita mensagem. Não precisa gostar das mesmas coisas, mas tem que saber ceder. Não precisa nem morar na mesma cidade. A distância me faz bem. Tem uma frase clássica da Marilyn Monroe que é: “Quando estou sozinha, me reinvento.” Eu também.

O amor que eu quero é urbano. Vive a cidade. Corre pelas praças. Está no cinema em uma quarta à noite. Em um barzinho em um bairro boemio da cidade. Tem uma ou duas tatuagens. Pode não ter nenhuma. Pode ter o corpo coberto por várias. Este amor entende de si mesmo. Não quer que eu seja uma parte dele, sabe que podemos ser complementares. Ele não é a certeza absoluta.

O amor que eu quero confia em si mesmo. Entende meu humor e minhas cores. Sabe que sentir não faz ninguém desbotar. Que outras pessoas existem e tudo bem, não vamos negar a beleza alheia. Esse amor entende o que é fidelidade. Entende quando está na hora de transformar esse sentimento em algo melhor.

O amor que eu quero sabe a hora de ir embora. Ele não entende de continuações. Ele não reata. Ele vive o que pode ser vivido, da melhor forma possível. Ele entende que tudo tem prazo de validade. O amor que eu quero sempre vai ser amor mesmo que acabe.

Nessa reflexão, tropecei algumas vezes na esteira, aumentei o volume da música que estava tocando nos fones e sorri olhando pela janela da academia. Vi, na rua, diversos possíveis amores da minha vida. Atração física, sabe? O problema é que chega um momento em que beleza não é tudo. Nunca foi. É preciso olhar a pessoa de dentro também, o amor próprio fica lá, ou a falta dele. E se não houver, foge, enquanto há tempo. O amor que eu quero, acima de tudo, ama a si mesmo.

Eu quero voltar para casa

Eu quero voltar para casa

Tem dias que eu só quero voltar para casa. Não, não é para casa dos meus pais (mesmo tendo alguns dias que lá é o único lugar que eu gostaria de estar). É para o meu apartamento. Para meus quadros em Pop Art. Minha sala com cheiro de alecrim.

Depois de um dia cansativo de trabalho, eu só quero voltar para a minha cozinha e preparar um chocolate quente para aquecer o dia frio. Depois de um encontro, quero deitar na minha cama vazia, mas arrumada, intacta, do jeito que deixei antes de sair.

Eu amo receber amigos, colegas e familiares em casa. Amo cozinhar para todos. Amo a companhia das pessoas que eu amo. Amo receber em casa quem eu gosto de receber no coração.

Morando sozinho não tenho vontade de trazer casinhos aqui. Minha casa é minha intimidade. Não quero alguém que não vai ficar na minha vida olhando minha coleção de livros. Eu não quero compartilhar minha intimidade com alguém que eu sei que não vai durar muito.

Uma vez ouvi uma amiga dizendo que o apartamento dela era um templo, ela só levava um cara lá quando eles já estavam quase oficializando um relacionamento. Eu penso o mesmo. Eu gosto do meu espaço. Aqui só cabe bons sentimentos.

É ótimo ir ao teatro sozinho. Conhecer pessoas diferentes. Correr no parque. Dormir no apartamento de um amigo ou de um carinha diferente. Beber em um barzinho. É ótimo viver a cidade.

Tudo isso é fantástico! Morar sozinho só tem me mostrado coisas incríveis, e uma delas é voltar para casa. Para o meu espaço. Para a louça no secador. Para as roupas no varal com cheiro de amaciante. Para o abraço do unicórnio que fica em cima da minha cama. Para minha coleção de livros e cds. Para o lugar onde todo o dia posso amanhecer e anoitecer sendo eu.

Você precisa reconhecer os seus erros e defeitos

Você precisa reconhecer os seus erros

Oi oi menines, tudo bem?

Faz algum tempo que não batemos um papo mais profundo, né? Acho que andei ocupado demais tentando resolver coisas de fora, andei meio ausente do dentro. Pelo menos até o último fim de semana de agosto, lá, eu fui desamarrado de algo que estava preso há tanto tempo e eu não imaginava. Não vou dizer o que houve, vou dizer o que isso acarretou.

Ninguém é perfeito. Em um relacionamento cometemos um milhão de erros. Errar é humano, concordo com essa afirmação. E tudo bem, precisamos reconhecer a nossa culpa. E aí que pega. Quando estamos errando?

Tem vezes que nosso erro é para o outro uma expectativa não correspondida. E essa expectativa nunca foi sua, foi do outro. Para esse outro foi um erro seu. Para você não. Outras vezes foi uma surpresa que você fez que não agradou muito. Foi um filme no cinema que ele escolheu que você achou um saco. Foi um dia em que não houve muito assunto. Foi uma semana sem sexo sem motivos. E assim, começam uma infinidade de supostos erros e culpas. Uma bola de neve de ressentimentos.

Tudo bem. Relacionamentos não são um mar de flores, mas viver arrependido não deve ser uma opção. E o que eu tenho para dizer é que sim você vai errar, vai errar muito e tudo bem. Você precisa reconhecer os seus erros. Você precisa se conhecer. Olhar para dentro. Colocar a cabeça no travesseiro e perceber o que você fez que não era seu, da sua personalidade. Não pelo outro, mas por você.

Se você não sabe quais são os seus defeitos, você vai viver se desculpando. Eu sei que sou desapegado, não vou ser aquele que vai mandar mensagem 20 vezes por dia. E tudo bem. Ser desapegado é um defeito algumas vezes, e eu preciso reconhecer isso, porque se em algum momento eu for apontado por isso eu vou assumir. Também sei que amo ser surpreendido e que exijo não cair em uma rotina em um namoro, e eu julgo o outro quando isso acontece. Eu reconheço minhas imperfeições e minhas exigências. Ninguém é perfeito, lembra?

Ficar sozinho me fez reconhecer os meus defeitos. E eu sei exatamente onde errei na maioria dos relacionamentos que tive. Aprendi a diferenciar quando errei porque estava inerente ao erro e quando quis errar. Sim, porque a gente pode querer errar. Mas um alerta, se você quer errar é porque você não quer estar ali. E o seu erro maior é continuar em um barco onde somente um quer continuar remando.

Tudo bem. Não é um mar de flores, mas também não são somente erros, desculpas e defeitos. Um relacionamento é mais que isso. No fim, você precisa perceber. Enxergar de fora. Se reconhecer. Perceber quando você não está sendo você e fazendo coisas, cometendo erros, que não eram seus. Amar alguém não é viver em um mar de desculpas. É querer navegar por águas desconhecidas, sejam rasas ou profundas. Não é preciso aprender a nadar para amar, é preciso se conhecer.

A playlist para superar aquele close errado

Oi oi menines, como vocês estão? ❤️

O drama para nós jovens/adultos geralmente é uma arte que dominamos bem. Ou por circunstâncias da vida, ou por opção. Quem nunca ficou o dia choroso depois daquele término sem sentido? E quem nunca comeu uma (ou duas) caixas de bombons depois daquele fora? Então, essa playlist é para você, que assim como eu, já precisou superar o crush. É, foi close errado.

Sei que parece difícil, aos 19, tudo para mim era um grande mar de dramas, agradeço a maturidade, e agradeço aos crushs que me tornaram uma pessoa melhor. Ainda assim, em alguns momentos, é preciso entrar em uma bad para sair dela ainda melhor. E superação é uma palavra maravilhosa.

Todas as músicas selecionadas falam exatamente sobre isso. Sempre somos maiores, fortes, confiantes e lindos. Términos e relações ruins mexem com o ego, abalam nossa estrutura, mas com o passar do tempo você vai ver que era melhor assim, que sua maquiagem era boa demais para ficar borrada por aquele crush sem pé nem cabeça. E o mais louco, você vai se questionar de porque você estava ali, sofrendo e se deixando abalar por algo tão sem sentido. É, a maturidade.

VEM CÁ! A VITÓRIA ESTÁ NAS NOSSAS VEIAS. E essas 8 músicas para superar o crush vão te fazer sentir melhor.

Katy Perry – Rise

Christina Aguilera – Stronger

Kelly Clarkson – Since U Been Gone

P!nk – Where did the beat go?

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Ninguém me satisfaz

Ninguém me satisfaz

Nunca fui exigente para ter relacionamentos. Se a pessoa gostava de mim, eu achava que “ok” ter um namoro. Eu, a minha vontade, não era algo que eu ouvia muito. Eu só precisava perceber que o outro estava afim. E eu ia de cabeça, naquilo que eu não esperava para mim. Ou não queria naquele momento. Ou não era a pessoa certa. Hoje, tenho tanto critério que ninguém me satisfaz.

Em primeiro lugar, eu aprendi a me amar. Eu sei o tipo de amor que eu quero ter. Sei o tipo de pessoa com quem eu quero ter esse amor. Sei até qual será a primeira coisa que ele vai falar quando acordar. Sinto a forma como ele vai amarrar o meu cabelo, e me abraçar em dias frios. Eu sinto o gosto do café dele, mesmo sem ser fã de café, o dele, eu vou tomar. Ele está ali, desenhado na minha cabeça. O problema é que acho que ele vai cair do céu, assim, pronto, na porta da minha casa em um fim de segunda-feira.

Estou solteiro por opção. Afirmei isso nesses últimos meses. A verdade, que eu só encontrei esses dias conversando com uma amiga foi: ninguém me satisfaz. Não, o problema não é das pessoas, o problema está em mim (que frase bem clichê, mas verdadeira). Eu fiquei muito tempo insatisfeito em relacionamentos passados, e agora, quero encontrar o fucking príncipe encantado. Que não existe, obviamente.

É louco! Eu não quero mais gastar meu tempo com alguém que não vale a pena. Acho que ando valorizando demais o meu tempo. Logo, o que faço com ele. Não quero ter encontros casuais que não levam a nada. Na verdade, não quero me sentir dispensável. Não quero esse tipo de amor pré-pronto que anda por aí, onde sou mais uma foto no aplicativo de pegação, com mais uma lista de papos que só foram até “você é de onde?”.

Tomei consciência disso. Pauta para minha terapia, pensei. Pensei também que essa insatisfação estava me fechando. Não deixando alguém que tem bons sentimentos entrar. Alguém que poderia ter um ótimo abraço, um excelente beijo e um sexo que me deixasse sem fôlego. Essa pessoa está passando por mim, muitas vezes, quem sabe, e eu, estou adiando o encontro, deixando sem resposta, fazendo ela pensar que sou um péssimo partido. E não, eu sou legal, eu quero deixar essa pessoa me conhecer. Assim mesmo, na vida real, sem filtros.

Eu não preciso cobrar tanto por essa busca. Ela, a busca, não precisa existir. Eu, o chato, só preciso deixar fluir. Ele, o amor, pode estar apertando a campainha, e eu, só preciso tirar o fone de ouvido e ouvir.

Não nasci para viver a sua tempestade

Não nasci para viver a sua tempestade

Não houve tempo bom. Você era nublado, todos os dias. Chegava em você, e você era tempestade. Não nasci para viver molhado. Não quis ser sol para secar você.

Você era tão rude. Tão obcecado. Não lembro ao certo como nos conhecemos, mas queria esquecer. Esquecer o seu estado embriagado no fim de cada noite. Esquecer que vivemos juntos pela nossa violência. Porque a dor, naquela época, me fazia bem. O tempo ensina que só mantemos as cicatrizes que devem ser mantidas. E você, não merece nenhuma marca do meu corpo.

Eu fui embora depois da hora. Infidelidade passou a ser o seu sobrenome. E eu deixei saber, deixei você errar. Deixei, como eu disse antes, a dor me fazer bem. E você nunca soube, mas servia como forma de eu me ver mais forte, inteiro e maior. Indiretamente estava ali, aprendendo a vencer o seu temporal. Não por você, pelo seu caos, mas por mim e para testar os meus limites.

Você continua sua rotina doentia. Tão viciado em destruir tudo a sua volta. Tão cheio e tão vazio. Tão intenso e tão distante. Tão viciante e viciado. Tão tempo ruim. Tão céu pesado. Tanta chuva para o meu céu ensolarado.

Cansei de suas mentiras diárias. De suas frustrações desnecessárias. Cansei do drama que você trazia para a minha vida. Cansei das suas nuvens negras. Passei a viver com um guarda-chuva, até perceber que não precisava nem dele e nem de você para continuar. Fui clarear o meu próprio céu.

Fim de namoro: como lidar com os seus términos e descobrir novos começos

Fim de namoro: como lidar com seus términos e descobrir novos começos

Oi oi menines! Como estão vocês?

Hoje resolvi trazer aqui no blog um tema um pouco chato para grande maioria das pessoas: fim de namoro. Sim, com razão, não é nada legal passar por um término. Mas você já parou para pensar que o fim muitas vezes é uma nova forma de começo? (ficou poético, mas era só para ter uma frase de efeito para introduzir o texto)

Eu já tive muitos términos, não quero contar quantos, e por incrível que pareça (e por mais frio que possa ser) todos me fizeram muito bem. Sim, a primeira coisa que você precisa pensar é que se não está legal, nada deve continuar. Você não é alojamento de expectativas alheias. Você precisa saber quando é a hora de dizer “tchau!”. E você também precisa saber que o “tchau!” pode ecoar por um tempo dentro da gente.

Tudo bem, sofrer um pouco é preciso. Foi um tempo imaginando vocês dois juntos. Criando um futuro. Planejando viagens. E de repente, não ter mais isso não é fácil. Você estava acostumado. Tinham uma rotina própria. Uma forma exclusiva de dormir de conchinha. Apelidos fofos. PERA AÍ! Para quem ligar no fim da noite? Tudo bem… não tenha medo de chorar um dia ou dois. Mais que isso, não mesmo. O boy não vale o preço da sua maquiagem (não vale mais).

Fique nu. Tire tudo o que não é seu. Em um relacionamento carregamos carga extra. Nem tudo que está ali é você. São expectativas, programas favoritos do outro. O tempero da comida também não é mais o mesmo, e não será. Olhe para você. O que você vê? Provavelmente, o que você não via há algum tempo. Vista-se de você. Do que você gosta e de quem você é. Diferente do que muitos pensam por aí, você não é metade de ninguém. Você está inteiro. Pegue o todo que você é e seja.

Não me arrependo de nenhum dos meus namoros, mas a verdade é que só aprendi com eles depois que eles acabaram. O fim me mostrou tudo o que não via enquanto estava apaixonado, e foi aí que consegui tirar o melhor dali e transformar aquele momento em algo que me fez bem. Guardei os bons momentos. Não visito eles, mas estão ali, no fundo da memória.

Nunca voltei com ninguém. Não acredito em voltas, em tempo, em recomeços. Ninguém muda do dia para a noite. Ninguém merece que você espere para que ele possa colocar os pensamentos no lugar. Ninguém precisa adiar o fim de algo que já está com os dias contados.

Você entrou em um relacionamento com uma mala cheia de sentimentos. Você vai sair dele sentindo muito carinho pela pessoa, ou não. Vocês vão ficar amigos, ou não. Vocês nunca mais vão querer se ver, ou vão continuar mantendo contato. Cada fim de namoro é um término diferente, não tem como saber como será a relação de vocês depois dele, mas o que se sabe, é que ambos sairão com aprendizados, bons momentos e estão prontos para um novo começo, é só vestir a roupa certa, no caso, a sua.

Parada Gráfica de Porto Alegre e o menino que fazia arte

Parada Gráfica de Porto Alegre e o menino que fazia arte

Tenho ido a muitos eventos abertos aqui em Porto Alegre. Aquela minha ideia de viver a cidade está dando certo, principalmente quando não tem muito gasto envolvido. Uma das vantagens da capital é que tem muita coisa free ou com preços muito baixos. E hoje, resolvi conhecer a Parada Gráfica no Museu do Trabalho.

A primeira coisa maravilhosa desse passeio foi descobrir que tem um ônibus pertinho de casa que me deixa no gasômetro. E a outra coisa foi: todos aqueles artistas incríveis com trabalhos lindos. Sério, eram prints, bottons, camisetas, estampas, zines, livros… tantas opções! Tudo com um preço super legal. Era tudo tão barato que saí pensando que artista tinha que cobrar mais pelo seu trabalho.

Fui sem pretensão de comprar nada, apesar de estar precisando de alguns prints para emoldurar e colocar na parede (ainda mais agora que descobri um negócio que não precisa usar prego e martelo, habilidade ainda não adquirida nessa vida de dono de casa), mas impossível não querer levar tudo para casa. Eram tantos traços lindos, cores vivas, frases marcantes, todas mereciam estar na minha sala, quarto, cozinha… ok, mas eu precisava de prioridades – qual tinha mais a minha cara?

Olhei banca de artista por artista, umas obras melhores que as outras, até que achei a banca daquele menino, ali em um cantinho, aquela leveza nos desenhos mereciam entrar na minha casa. Identifiquei uma das frases que era uma música da Lana Del Rey, ele me olhou simpático ao confirmar que também gostava da letra. Tenho queda por criativos, confesso. Mas esse não foi o caso, dessa vez, ele realmente tinha o que eu procurava: o print perfeito. E o sorriso também.

Além disso comprei uns bottons engraçadinho sobre homens feministas. A moça que vendeu era de Pelotas, mas o que me chamou atenção para chegar na banca dela foi um livro chamado “xoxotas de Pelotas”. Confesso que só olhei a primeira página, fiquei com medo do conteúdo. E minha imaginação foi longe, será que ela descreve todas as que ela conheceu? Espero que não, mas se sim, achei uma boa ideia. E se ninguém pensou nisso, acho que conheço pessoas que escreveriam uma enciclopédia.

Sei que esse post está longo, mas é que estou empolgado. Amo arte. Saí de lá tão inspirado. Acho que é por isso que amo exposições e feiras artísticas – elas me enchem de ideias. Não tirei fotos, ponto negativo por estar tão imerso. Ainda sobre o menino do cantinho, sei que é da serra, mas não sei o nome, se alguém souber diga que o print dele já tem lugar privilegiado na minha sala.

Cansei de ser breve

Cansei de ser breve

Cansei de ser breve, quero ser demora. Quero morar no teu peito por duas, três, quatro horas. E depois, quando cansar, quero encontrar no teu olhar o conforto de quem pede para ficar.

Cansei de ser pouco, quero ser imensidão. Quero transbordar de sentimentos dentro da tua alma, corpo, coração. E se não for o bastante, quero te entregar um mundo de flores, sabores, intenções.

Cansei de ser de todos, quero ser limitado. Quero ter o teu olhar, sorriso, compasso. Quero ser desatado, encantado, abraçado, enlaçado dentro de ti.

Esse texto é breve, eu sei. Quis ser direto, sem enrolação. E se o objetivo foi alcançado, sei que você prestou atenção. Eu não quis dizer o porque, mas esse texto é sobre você.

O que eu aprendi morando sozinho em Porto Alegre

O que eu aprendi morando sozinho em Porto Alegre

Dei um nó nos meus cabelos no topo da minha cabeça. Sentei na cama. Me vi sozinho. Espaço vazio. Eco. Mas lá dentro, bem fundo em mim, meu corpo inteiro vibrava, era isso que eu queria para a minha vida adulta. Naquela noite, depois de alguns dias esperando alguém entrar por aquela porta e dizer “estou aqui por você”, eu não esperei ninguém entrar. Eu estava realmente morando sozinho.

Eu, aquariano com lua em sagitário, com um mapa astral que está escrito em letras garrafais que sou o desapego em pessoa, hoje transbordo sentimento por tudo que respira. E isso, é uma das coisas mais incríveis que aprendi morando sozinho. Eu sempre fui muito amado, sempre estive cheio de carinho e atenção. De repente, eu não tive mais isso. Eu não tinha mais abraços todos os dias, nem beijos de “bom trabalho”, nem café da manhã pronto. Eu não tinha mais com quem compartilhar. Achei.

Descobri que realmente estou ocupando um lugar no mundo, não somente existindo. Manhãs de meditação me fizeram ver que mudar o mundo é possível. Que fazer a diferença é importante. Que se amar acima de qualquer coisa é essencial. Que noites frias e solitárias são necessárias para aquecer o que você é, e despertar para o melhor.

Aprendi a sentir o amor de uma forma diferente. Sinto mais quando abraço alguém. Quando ouço a história de um amigo. Quando sento na grama para brincar com um cachorro (que não é meu, mas sempre tem um dono querido na Redenção). Tudo isso porque aprendi a valorizar o contato, a conversa, o afeto. Morar sozinho me ensinou a amar mais.

Tem dias melhores, tem dias nem tão bons. Tem felicidades que são vividas e celebradas somente por você, não tem ninguém do outro lado da porta. No meu caso, tem um unicórnio. E celebrar por você é tão autêntico. É tão adulto.

É sentir saudades. Todos os dias. Lembrar das pessoas que você ama das mais diversas formas, nos mais diversos momentos. É ficar feliz com uma ligação. Chorar com uma mensagem deixada no Facebook. É lembrar datas de aniversário, porque é uma data importante para mandar mensagens bonitas, sem parecer bobo.

Morar sozinho, cada dia que passa, está mostrando a melhor versão de mim. Aquela versão sem maquiagem, sem armadura. Todos os dias são lições diferentes. Novas rotinas, ou nem tanto. Tenho me encontrado aos poucos, resgatado aquela criança cheia de sonhos que tava atulhada embaixo de memórias que não fazem mais sentido. Aquela, que queria salvar o mundo, curar todas as pessoas, casar depois dos 30 e ter pelo menos dois filhos.

Morar sozinho, além de ter um endereço, uma cozinha, quarto, banheiro e sala, é pertencer ao mundo. Ir além das paredes. Viver a cidade. Rir de você mesmo. Falar sozinho. É ajudar desconhecidos perdidos. Ser um desconhecido perdido. É ouvir histórias de pessoas que você só vai ver uma única vez. É aceitar sua própria companhia. E enjoar de você. É mudar por você. E mudar, porque depois que você descobre que pode, ninguém mais te segura.